As críticas (injustas) de Cássio Cunha Lima à imprensa paraibana
20/08/2025 20:34
Por Marcondes Brito Reprodução

O lançamento do curta-metragem Habeas Pinho, em João Pessoa, reuniu figuras políticas e empresariais de destaque. Antes mesmo da exibição, o ex-senador e ex-governador Cássio Cunha Lima foi naturalmente a presença mais procurada pela imprensa. Com a eloquência que lhe é peculiar, distribuiu entrevistas e fez declarações que repercutiram. Entre elas, uma merece reflexão.

Cássio afirmou que, com todo respeito à imprensa, o setor estaria “comprometido com o governo do Estado”. Fez uma ressalva à TV Paraíba, mas colocou o restante da mídia num mesmo cesto, como se houvesse um alinhamento automático com a administração estadual.

Aqui cabe um contraponto respeitoso, até porque se trata de uma liderança que tem o nosso apreço e admiração. O comportamento da imprensa paraibana em relação ao atual governador não difere, em essência, do que se verificou em 1991, quando Ronaldo Cunha Lima governava o estado, ou em 2003, quando o próprio Cássio assumiu o Palácio da Redenção. Em ambos os períodos, a imprensa exerceu seu papel, noticiando, cobrando, mas também refletindo a natural proximidade que governos mantêm com os veículos de comunicação.

Não há injustiça maior do que ignorar essa constância histórica. A relação entre mídia e poder é marcada, em qualquer lugar, por tensões e convergências. Reduzir o trabalho dos jornalistas ao rótulo de “só fazer o que o governo quer” desconsidera não apenas o profissionalismo da categoria, mas a própria dinâmica de uma imprensa que já demonstrou, em diferentes gestões, capacidade de crítica e independência.

Assim, a fala de Cássio, compreensível no calor do debate, não traduz de maneira justa a realidade. A imprensa paraibana, como em outros tempos, segue cumprindo o seu papel: registrando, questionando e informando, sem deixar de reconhecer a relevância de quem governa.

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