A eleição do deputado federal Odair Cunha para o Tribunal de Contas da União, esta semana, foi muito além de uma simples escolha técnica. Nos bastidores da Câmara, o resultado é tratado como uma demonstração clara de força política do presidente da Casa, o paraibano Hugo Motta.
Principal articulador da candidatura do petista, Motta conseguiu construir a base necessária para garantir uma vitória ampla, com 303 votos, consolidando um movimento que já vinha sendo desenhado desde sua própria eleição ao comando da Câmara. O apoio ao nome indicado pelo PT fazia parte de um acordo político maior – e agora, segundo avaliações internas, o retorno começa a aparecer.
Entre parlamentares da bancada petista, a leitura é esta: a atuação de Motta não apenas garantiu a eleição de Odair, como também pavimentou o caminho para sua permanência no cargo. Já se fala que o movimento pode ter sido decisivo para sua reeleição, prevista para o início de 2027.
Membros da bancada petista na Câmara admitem que Motta pode ter garantido a reeleição dele para a Casa. Em última hipótese, esse grupo vai apoiar o nome que ele indicar no ano que vem. “Esta vitória foi dele e do governo”, dizem os petistas.
A eleição para o TCU era vista como um teste de força. E o resultado, com larga vantagem sobre o segundo colocado, reforçou a capacidade de articulação do presidente da Câmara em um ambiente tradicionalmente fragmentado.
Efeitos regionais
O efeito político da vitória não se limita a Brasília. O fortalecimento de Motta também repercute diretamente na Paraíba, onde ele se torna peça ainda mais relevante no xadrez eleitoral. O momento favorece não apenas seu projeto de poder nacional, mas também amplia seu peso na construção de alianças locais.
Nesse contexto, o avanço político do presidente da Câmara pode ter impacto direto na disputa pelo Senado no estado. Seu grupo político, que tem como principal nome o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley, ganha musculatura com a demonstração de força em Brasília.
A cadeira no TCU, enfim, virou mais do que uma nomeação: transformou-se em um recado político claro. Hugo Motta mostrou que não apenas chegou ao comando da Câmara, mas que sabe jogar o jogo para permanecer nele.
