João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Após visita a Bolsonaro na prisão, Flávio crava que candidatura é irreversível e eleva pressão por negociação
09/12/2025 11:13
Redação ON Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro voltou ao centro do cenário político nacional nesta terça-feira após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Ao sair do encontro, o parlamentar adotou o tom mais duro desde que se lançou como pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2026 e declarou que sua candidatura é “irreversível”.

Segundo Flávio, ele apresentou ao pai o cenário político após o anúncio de seu nome e relatou um ambiente que classificou como positivo. Disse ainda que Bolsonaro recebeu as informações com entusiasmo e que a decisão de seguir adiante com a pré-candidatura foi reafirmada no encontro. “Não vamos voltar atrás”, declarou o senador ao deixar a PF.

A visita ocorreu poucos dias depois de Flávio admitir publicamente que sua desistência da disputa teria um “preço”: a libertação e reabilitação política do próprio pai. A sinalização foi lida em Brasília como uma tentativa explícita de colocar a candidatura à venda no mercado político, tendo a anistia como moeda central da negociação.

Como o Centrão não demonstrou qualquer disposição para discutir essa pauta, a avaliação nos bastidores é de que Flávio saiu da conversa com Bolsonaro disposto a elevar novamente a pressão. Ao classificar sua pré-candidatura como irreversível, o senador busca passar a impressão de que a aposta aumentou e que o custo político para desmontar esse movimento também ficou mais alto.

Na prática, o gesto funciona como mais uma etapa da mesma estratégia: manter a candidatura em evidência para tentar forçar uma resposta que, até agora, não veio. O Centrão seguiu em silêncio, não convocou reuniões, não abriu negociação e tampouco sinalizou apoio ao discurso da anistia.

Enquanto isso, Flávio tenta sustentar publicamente a ideia de que há ambiente político favorável e que a militância bolsonarista estaria novamente mobilizada. Nos bastidores do Congresso, porém, a leitura predominante é a de que há muita negociação ainda em jogo e pouca convicção real sobre se essa candidatura seguirá viva até o fim do processo.

O cenário, portanto, é de tensão prolongada. Flávio eleva o discurso, estica a corda e reafirma a irreversibilidade como instrumento de pressão. Do outro lado, o Centrão permanece imóvel, mais preparado para o confronto e sem disposição para comprar, ao menos por enquanto, o preço que o bolsonarismo tenta impor.

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