João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Após reunião de emergência, PL decide partir para o tudo ou nada pela anistia
24/11/2025 18:38
Redação ON Reprodução

Em reunião em Brasília, a cúpula do PL bateu o martelo: o partido vai adotar uma estratégia de tudo ou nada para forçar a votação da anistia aos condenados pela trama golpista. O recado interno foi claro — não há espaço para negociar dosimetria, redução de penas ou qualquer acordo intermediário. A ordem é pressionar diretamente o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que coloque o projeto em pauta imediatamente.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), porta-voz da ofensiva, deixou claro que o partido não tratará de ajustes nas penas defendidos pelo relator do projeto de dosimetria, Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Segundo ele, “não há acordo possível” fora da anistia total.

O endurecimento ocorre no momento em que Hugo Motta tenta administrar o próprio desgaste político provocado por votações recentes, como a da PEC da Blindagem, e resiste a embarcar em novas crises em pleno ano pré-eleitoral. Antes da prisão preventiva de Jair Bolsonaro, no sábado (22/11), Motta havia sinalizado abertura ao debate — mas o cenário mudou.

Impacto da prisão

A prisão de Bolsonaro aumentou a pressão sobre o Congresso e acelerou o movimento do PL. A Polícia Federal, com apoio da Procuradoria-Geral da União, apontou risco de fuga após a vigília convocada pelo senador Flávio em frente ao condomínio do ex-presidente. Para a corporação, a aglomeração poderia criar condições para rompimento das cautelares.

O ex-presidente está preso preventivamente desde o fim de semana e cumpre pena após condenação de 27 anos e 3 meses pelo STF. A decisão de Alexandre de Moraes também destaca a violação da tornozeleira eletrônica: um vídeo anexado aos autos mostra Bolsonaro admitindo ter queimado o dispositivo com um ferro de solda, exigindo substituição horas antes da operação da PF.

O impasse entre Câmara e oposição tende a se aprofundar, e o PL, agora em modo de confronto, tenta capitalizar a crise para empurrar a anistia ao centro da agenda legislativa.

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