João Pessoa, quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Após derrota nas urnas, campanhas de Cícero e Mersinho enfrentam cobrança de quase R$ 900 mil
15/10/2026 13:04
Redação ON Reprodução

A crise que marcou a reta final da campanha de Cícero Lucena (MDB) ao Governo da Paraíba ganhou um novo capítulo depois das urnas. Cerca de 92 profissionais de comunicação denunciam pagamentos pendentes por serviços prestados às campanhas do ex-prefeito de João Pessoa e de seu filho, o deputado federal Mersinho Lucena (PSD), que não conseguiu se reeleger. A dívida, segundo os trabalhadores, se aproxima de R$ 900 mil. A denúncia foi divulgada nesta quinta-feira (15) pelo blog do Maurílio Júnior.

A cobrança acrescenta um problema financeiro ao desgaste político e judicial que acompanhou Cícero até a votação. O ex-prefeito terminou em terceiro lugar, muito atrás de Efraim Filho (PL), segundo colocado. Ambos ficaram distantes de Lucas Ribeiro (PP), reeleito no primeiro turno com 64,30% dos votos válidos. O resultado consolidou o enfraquecimento de uma candidatura que chegou aos últimos dias sob forte pressão.

Dois dias antes da eleição, na sexta-feira (2), o Tribunal Superior Eleitoral formou maioria pelo indeferimento do registro de Cícero. Um pedido de vista do ministro André Mendonça interrompeu a análise, sem uma decisão definitiva, e o candidato permaneceu na disputa. A suspensão, porém, não impediu o impacto político de chegar à votação com um placar desfavorável no tribunal.

O tamanho desse abalo foi reconhecido pelo deputado estadual Hervázio Bezerra, pai do prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra. Em entrevista nesta semana, o parlamentar avaliou que a situação judicial prejudicou a campanha e atingiu profundamente o aliado. “Eu não sei onde Cícero foi buscar forças”, afirmou. Segundo Hervázio, o ex-prefeito tentava transmitir segurança aos eleitores mesmo abalado psicologicamente.

Agora, são os profissionais que trabalharam nos bastidores das duas campanhas que cobram uma solução. Os relatos abrangem equipes de produção audiovisual, direção, edição, serviços técnicos e maquiagem. Os denunciantes dizem ter atuado desde a pré-campanha, inclusive aos fins de semana e feriados, e afirmam que os valores pendentes correspondem a serviços da reta final da disputa.

“Já cobramos o nosso direito de forma amigável, mas não temos resposta. Estamos atrás dos nossos direitos, porque trabalhamos de domingo a domingo por essas campanhas”, relatou uma das profissionais ao blog. O grupo afirma que poderá adotar medidas para exigir os pagamentos. Conforme um dos depoimentos, a responsabilidade seria das campanhas, e não da produtora Castanhola, que também teria acumulado prejuízos.

Segundo a publicação original, não havia manifestação de Cícero, Mersinho ou de suas campanhas sobre as cobranças até a divulgação da denúncia. Os relatos expõem um passivo que ultrapassa o balanço eleitoral da família: para os trabalhadores que afirmam não ter recebido, a campanha continua sem um ponto final. A derrota já foi contabilizada nas urnas; os serviços prestados, segundo eles, ainda aguardam pagamento.

canal whatsapp banner

Compartilhe: