Levantamento feito pelo blog do jornalista Luiz Torres mostra que a maioria dos deputados federais da Paraíba é contrária à proposta de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Dos 11 deputados, seis se posicionam contra, dois a favor, um está indefinido, e dois não responderam. Ou seja, se dependesse só da bancada paraibana, a anistia não passava.
Chamam atenção os casos de indecisão e silêncio de alguns parlamentares, mesmo após mais de um ano de discussão pública sobre o tema. É difícil entender o que ainda falta para se posicionarem. Neutralidade, neste caso, é cumplicidade.
A discussão em Brasília é tensa. O governo teme que o projeto avance, já que cerca de 200 deputados no total já sinalizaram apoio — o número necessário para aprovar são 257. A pressão da extrema direita tem crescido, tentando transformar vândalos em vítimas.

Hugo Motta resiste às pressões
A pressão para votar a anistia cresce, especialmente por parte da extrema direita, mas o presidente da Câmara, o paraibano Hugo Motta (Republicanos), virou a peça-chave do jogo — e parece disposto a frear a pauta.
Motta avalia que a proposta não pode ser votada de forma açodada, ou seja, não deve ir direto ao plenário por requerimento de urgência. Em vez disso, estuda criar uma comissão especial, ideia que já foi mal recebida pelo PL.
Outro ponto tenso é a relatoria do projeto. Na Comissão de Constituição e Justiça, o relator atual é o deputado Rodrigo Valadares (União-SE), visto como bolsonarista radical e comprometido com a pauta da anistia. Hugo já avisou que, se o projeto for adiante, outro nome terá que assumir a relatoria.
A temperatura subiu ainda mais nesta segunda (1º) com a coletiva do líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), que anunciou que o partido vai interpelar o Supremo Tribunal Federal. O motivo: a abertura de ações penais contra parlamentares, como Alexandre Ramagem (PL-RJ), sem consulta prévia à Câmara, o que seria, segundo ela, uma violação da Constituição. Hugo Motta, aliás, só foi notificado ontem da decisão que o STF tomou na semana passada.
O cenário é instável. Nos bastidores, o governo teme a aprovação da anistia — mais de 200 deputados já se mostraram favoráveis, e o número necessário é 257. A pressão da base bolsonarista é crescente, mas a resistência dentro da Câmara, sobretudo de parte da bancada da Paraíba, é um fator importante no freio ao avanço da proposta.