O treinador Carlo Ancelotti explicou a prioridade da Seleção Brasileira nas próximas convocações, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (28), véspera do segundo amistoso com a Austrália. Segundo o técnico, o objetivo é encontrar novos jogadores para reforçar a Amarelinha na Copa América de 2028 e a Copa do Mundo de 2030.
“A prioridade é buscar construir uma nova geração de futebolistas que possa acompanhar a Seleção no futuro próximo, que é a Copa América e a Copa do Mundo. Essa é a prioridade. Pode ser que hoje, nos 26 (convocados), não estejam os melhores, mas algo temos que fazer. Temos que acompanhar o jovem que pode apresentar o futuro e acompanhá-lo de perto. Isso significa que, há um ano, um jogador que não jogava não era chamado. Agora, um jogador que não joga no clube, que pensamos que é bom para o futuro da Seleção, vou chamar”, disse.
Nesta terça (29), o Brasil terá novo duelo contra a Austrália. Desta vez, o encontro acontecerá no Suncorp Stadium, em Brisbane, às 7h de Brasília (20h no horário local). Embora seja o segundo teste após a participação no último Mundial, Ancelotti reforçou que a Seleção encara uma partida de Copa e um amistoso da mesma forma
“Ninguém da comissão e dos jogadores pensa que vamos jogar um amistoso. Vamos jogar um jogo que apresenta um país importante para o futebol, que é o Brasil, com uma camisa que pesa muito. Para nós, não temos amistoso. Para nós, uma partida de Copa do Mundo e uma partida contra a Austrália é igual. Representamos a maior seleção da história do futebol”, concluiu.
Veja outras respostas de Ancelotti:
Comparação da Seleção Brasileira de 20, 25 anos atrás com a geração atual
Como eu disse antes, este país é capaz de produzir talentos fantásticos. Eles fizeram isso nos anos 1950, com Pelé e com jogadores históricos, como Garrincha, Romário, Ronaldo, Neymar e Kaká. Agora há uma nova geração de jogadores: Vinicius Jr., Raphinha, Estêvão, Endrick… O problema é que o talento não faz a diferença de 20 anos atrás. O talento tem que ser sustentado pelo trabalho coletivo.
Pressão e críticas ao seu trabalho no comando da Seleção Brasileira
A crítica ao meu trabalho é uma crítica que sempre existiu e sempre vai existir. Esta crítica não afeta a ideia que tenho para o futuro da Seleção e desses jogadores. O quanto a crítica pode afetar em percentual as minhas ideias que tenho para o futuro, é zero.
Análise sobre a Austrália
Como posso analisar a Austrália? O que a Austrália mostrou na Copa do Mundo foi um trabalho coletivo fantástico, em que algumas individualidades estiveram bem conectadas ao trabalho coletivo. Isto é o que um time deve ser. Se você conseguir construir um time com jogadores talentosos e fantásticos… Claro, você tem que formar o time considerando as características dos seus jogadores. Em questão de trabalho coletivo, a Austrália é uma grande equipe.
Mensagem à torcida brasileira
Estamos trabalhando para que a Seleção Brasileira seja protagonista. A expectativa para um treinador da Seleção Brasileira é muito alta. A expectativa é muito alta. Aqui, você tem que ganhar a Copa do Mundo, não pode pensar em chegar nos quatro primeiros (colocados)… Não lembro de um ano em que a expectativa não era muito alta na minha carreira. A expectativa sempre tem que ser alta. Temos que dar o máximo para fazer o trabalho da melhor maneira possível.
Para onde está levando a Seleção Brasileira?
O que temos que fazer é ir passo a passo. Eu acho que a geração que jogou a Copa do Mundo de 2018, 2022 e 2026 acabou. Temos que construir uma nova geração levando em consideração alguns jogadores da geração anterior com idade para a próxima Copa do Mundo. É um momento muito interessante para novos e jovens jogadores, de 17, 18, 19 anos, é muito interessante. Temos a possibilidade de encontrar alguma coisa. Estamos observando jovens jogadores muito talentosos e esperamos ter a possibilidade e a oportunidade de ajudá-los a crescer mais rápido.
Jogo Bonito na Seleção?
Acho que o objetivo de todos os torcedores é ver a Seleção ganhar jogos, jogando bem, naturalmente. Não acredito que o torcedor brasileiro tenha ficado contente com o jogo de 1994, quando a equipe era muito sólida e ganhou a Copa do Mundo, com o talento de Romário. Temos a qualidade e os jogadores para jogar um jogo bonito, mas acho que é importante ganhar o jogo.
Maior controle do jogo e menos transição
Obviamente controlar a transição é muito importante, tanto é que no jogo contra a Austrália, a Austrália não teve oportunidade de contra-ataques, também jogando com quatro atacantes. Significa que a equipe estava equilibrada. Pode ser que você tenha mais equilíbrio com três atacantes, mas também pode ser que com três atacantes você tenha mais dificuldades de criar oportunidades. E tivemos muitas oportunidades contra a Austrália. Não finalizamos bem. Não tivemos acerto na finalização. Depende. Mas o controle da transição, sobretudo quando você joga contra uma equipe que se aproveita muito da defesa e contra-ataques, é muito importante. Pode controlar a transição com três meio-campistas, mas também com quatro atacantes, você pode controlar igualmente, como controlamos no primeiro jogo contra a Austrália, porque a Austrália não teve contra-ataque.
Surpresas positivas
Os jovens que estão aqui, eu gosto deles, de todos. O Breno (Bidon) é um jogador que tem muita qualidade, que está jogando muito bem no Campeonato Brasileiro. Gostei muito de Arthur Dias e dos goleiros, que eu não conhecia. A verdade é que são todas surpresas positivas. Gostei muito do Gabriel Bontempo, Jair… Quero ser objetivo: temos futuro, apesar das críticas.
