João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Alcolumbre e Motta reagem à tentativa do PL de “ganhar no grito” com ocupação dos plenários
05/08/2025 18:51
Redação ON Reprodução

A retomada dos trabalhos no Congresso Nacional, nesta terça-feira (5), foi marcada por uma tentativa da oposição bolsonarista de paralisar as votações à força. Parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro ocuparam simbolicamente as cadeiras das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, impedindo o início das sessões e condicionando a retomada dos trabalhos à votação do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e ao pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A resposta das lideranças do Congresso foi rápida. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou duramente a manobra da oposição, classificando-a como um “exercício arbitrário das próprias razões”. Em nota, pediu “serenidade” e “espírito de cooperação”, destacando que “é preciso retomar os trabalhos com respeito, civilidade e diálogo, para que o Congresso siga cumprindo sua missão em favor do Brasil e da nossa população”.

Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) encerrou a sessão do dia e convocou uma reunião de líderes para tratar da pauta. Em agenda na Paraíba, Motta afirmou que decisões judiciais devem ser cumpridas, e que não cabe ao Legislativo tentar “ganhar no grito”. “O legítimo direito de defesa deve ser respeitado, mas decisão judicial é para ser cumprida. Não cabe ao presidente da Câmara ou a qualquer outra autoridade comentar ou qualificar decisões judiciais. Isso se resolve nos autos”, disse.

Obstrução da oposição

A obstrução imposta pelos aliados de Bolsonaro ameaça travar uma pauta sensível para milhões de brasileiros: a correção da tabela do Imposto de Renda. A Medida Provisória que amplia a faixa de isenção perde validade na próxima segunda-feira (11), e precisa ser substituída por um projeto de lei aprovado em plenário.

Nesta terça, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou a urgência do projeto, que amplia a isenção para quem ganha até dois salários mínimos (R$ 3.036). “Essa obstrução prejudica, no dia de hoje, pelo menos 40 milhões de brasileiros”, alertou o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). Ele se reuniu com Alcolumbre para tentar garantir a votação ainda esta semana.

Segundo Randolfe, o objetivo do governo é isentar todos os brasileiros que recebem até R$ 5 mil, mas, por ora, o foco é manter o avanço da proposta atual: “Não é tudo o que queremos, mas essa correção é necessária desde já”, afirmou.

Influência sobre Trump

Em meio à crise institucional, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comentou a decisão do governo norte-americano de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros — medida vista nos bastidores como uma reação às ações da Justiça contra Jair Bolsonaro. Segundo Flávio, “ninguém manipula Trump”, nem mesmo seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que mantém relações próximas com o ex-presidente dos Estados Unidos.

“Ninguém tem controle sobre o que o Trump está fazendo. O Eduardo e nenhuma outra pessoa manipula o presidente Trump”, disse Flávio em entrevista à GloboNews.

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