A oposição bolsonarista comemorou, nesta quarta-feira (7), a coleta das 41 assinaturas mínimas necessárias para protocolar no Senado um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa foi celebrada como um feito inédito por parlamentares de direita, que há tempos tentam articular uma ofensiva formal contra o magistrado.
Mas a comemoração durou pouco. No começo da tarde, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), jogou um balde de água fria na mobilização e deixou claro que, mesmo com o apoio da maioria absoluta da Casa, não pretende levar o pedido adiante.
“Nem se tiver 81 assinaturas, ainda assim não pauto impeachment de ministro do STF para votar”, declarou Alcolumbre, segundo relatos publicados pela Coluna do Estadão. A frase foi dita durante uma reunião com líderes da base e da oposição, e expôs a resistência do presidente do Senado em transformar o embate com o Judiciário em pauta legislativa.
A declaração de Alcolumbre apenas confirma aquilo que já é prática na política brasileira: a existência de dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo engavetados, assim como houve mais de cem pedidos para afastar o ex-presidente Jair Bolsonaro enquanto ele ainda ocupava o Planalto — todos engavetados pela presidência da Câmara dos Deputados.
Mesmo diante da negativa, o senador Carlos Portinho (PL-RJ), um dos articuladores do pedido, buscou manter o ânimo do grupo. “Uma coisa de cada vez. Agora tem 41 assinaturas. Depois conseguiremos apoio para ter 54 votos. Vamos comemorar a vitória de hoje”, afirmou.
A fala de Alcolumbre, no entanto, foi vista nos bastidores como um recado definitivo: o Senado, sob seu comando, não se envolverá em ofensivas políticas contra o Supremo Tribunal Federal — ainda que a pressão da oposição siga crescendo.

