sexta-feira, 24 de julho de 2026
Acusações, pesquisas e narrativas: a nova frente da disputa eleitoral na Paraíba
15/06/2026 13:53
Redação ON Reprodução

As declarações dos deputados Felipe Leitão (Republicanos) e Hervázio Bezerra (MDB), feitas no podcast “õ Paraíba Boa,”,  revelam que a pré-campanha ao Governo da Paraíba entrou em uma nova fase. Menos centrada em propostas e mais marcada por questionamentos sobre a credibilidade da informação que circula durante o processo eleitoral. Em momentos distintos da mesma entrevista, os dois parlamentares levantaram suspeitas sobre a atuação de setores da imprensa, sobre pesquisas eleitorais e até sobre a existência de uma suposta estrutura organizada para desgastar adversários políticos.

Felipe Leitão afirmou que haveria uma espécie de “milícia digital” atuando para produzir e amplificar conteúdos negativos contra o pré-candidato Cícero Lucena (MDB). Segundo o deputado, existiria uma ação coordenada para pinçar declarações, distorcê-las e transformá-las em manchetes com o objetivo de desgastar o emedebista perante a opinião pública. Apesar da gravidade da acusação, o parlamentar não apresentou nomes, documentos ou provas que sustentassem a denúncia.

Na política, acusações dessa natureza costumam produzir forte repercussão inicial, mas dificilmente sobrevivem ao debate público sem a apresentação de evidências concretas. Caso não sejam acompanhadas de fatos verificáveis, acabam se transformando apenas em mais um capítulo da disputa narrativa que marca os períodos eleitorais.

Hervazio pega pesado

Já Hervázio Bezerra trouxe outro elemento para o debate. O deputado revelou que Felipe Leitão estaria articulando a coleta de assinaturas para a criação de uma CPI destinada a investigar pesquisas eleitorais divulgadas no Estado. Segundo ele, haveria indícios de irregularidades envolvendo contratantes e institutos de pesquisa, citando casos em que os valores transferidos para veículos de comunicação seriam posteriormente repassados, em montantes idênticos, aos responsáveis pelos levantamentos.

Mais uma vez, trata-se de uma denúncia que dependerá de provas para avançar além do discurso político. Caso uma CPI seja efetivamente instalada, caberá à comissão verificar documentos, contratos, transferências bancárias e registros oficiais para confirmar ou descartar as suspeitas levantadas.

O debate sobre pesquisas eleitorais ganha relevância porque elas passaram a ocupar espaço central na disputa paraibana. Durante praticamente todo o ano de 2025, os levantamentos divulgados apontavam Cícero Lucena na liderança da corrida pelo Governo do Estado. Somente nos últimos meses alguns institutos passaram a registrar cenários mais equilibrados ou até vantagem para outros nomes, o que ampliou a discussão sobre a confiabilidade dos números apresentados.

É justamente esse contexto que torna o tema delicado. Pesquisas podem errar, divergir entre si ou registrar apenas o retrato de um determinado momento. Mas também constituem instrumentos reconhecidos pela legislação eleitoral, desde que observem os critérios técnicos exigidos pela Justiça Eleitoral.

Entre a denúncia de uma suposta “milícia digital” e a proposta de uma CPI das pesquisas, o fato concreto é que a disputa eleitoral paraibana começa a migrar do campo das intenções de voto para o terreno da credibilidade das informações. E, nesse cenário, tanto as acusações quanto as pesquisas precisarão ser submetidas ao mesmo critério: a apresentação de provas e fatos verificáveis. Afinal, em uma eleição, narrativas podem influenciar o debate, mas somente evidências têm capacidade de sustentar acusações diante da opinião pública.

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