quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Acordo Mercosul–União Europeia: os ganhos concretos para o Brasil e os setores mais beneficiados
10/01/2026 05:34
Redação ON Reprodução

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia já está fechado e passa agora a ser analisado sob um ponto decisivo: seus efeitos práticos sobre a economia brasileira. O consenso entre estudos e projeções é claro. O Brasil tende a sair ganhando, especialmente no médio e longo prazo, ainda que os benefícios não sejam iguais para todos os setores.

A grande vencedora do acordo é a agroindústria. A abertura gradual do mercado europeu deve gerar um crescimento adicional estimado em cerca de 2% ao longo de 17 anos, impulsionado principalmente pelas exportações de carnes, café, frutas e outros produtos agrícolas. A redução progressiva de tarifas amplia cotas de venda, melhora a previsibilidade dos negócios e fortalece a posição do Brasil em um dos mercados mais exigentes e valiosos do mundo.

No segmento de proteínas animais, o impacto é ainda mais evidente. A carne de frango tende a ser a principal beneficiada, com aumento relevante do volume exportado à medida que as tarifas europeias forem eliminadas. Hoje, a União Europeia representa uma parcela pequena das exportações brasileiras de frango, mas o acordo cria espaço para crescimento ao tornar o produto mais competitivo. No caso da carne suína, o potencial também existe, embora dependa de ajustes sanitários e de habilitação de plantas brasileiras para exportação ao bloco europeu.

Outros produtos agrícolas seguem a mesma lógica. Café, limão e diversos itens do agronegócio terão prazos definidos para a eliminação total das tarifas, o que fortalece a competitividade brasileira e amplia margens de exportação ao longo do tempo.

Na economia como um todo, o acordo também produz saldo positivo. Serviços, indústria de transformação e mineração apresentam crescimento moderado nas projeções de longo prazo. O dado mais relevante é que não há expectativa de retração estrutural de nenhum grande setor da economia brasileira, ainda que alguns segmentos específicos enfrentem maior concorrência externa.

É justamente na indústria que aparecem os principais desafios. Áreas como máquinas, equipamentos e parte do setor eletroeletrônico tendem a sentir mais fortemente a abertura do mercado, com impacto negativo estimado ao longo de vários anos. Ainda assim, o acordo prevê períodos extensos de transição, com redução tarifária gradual, o que oferece tempo para adaptação, modernização e políticas internas de aumento de competitividade.

Em contrapartida, setores industriais mais competitivos veem no acordo uma oportunidade clara. A indústria calçadista, por exemplo, ganha acesso progressivo a um mercado que concentra cerca de 40% do consumo mundial de calçados. Hoje, a participação brasileira nesse mercado é pequena, o que revela um potencial significativo de expansão com a eliminação das tarifas.

Do ponto de vista estratégico, o acordo também fortalece a posição do Brasil no comércio internacional. Ele reduz riscos de isolamento em um cenário global marcado por disputas comerciais, amplia o acesso a cadeias globais de valor e reforça a imagem do país como fornecedor confiável de alimentos e produtos industriais.

Há preocupações, especialmente relacionadas a possíveis mecanismos de salvaguarda adotados pela União Europeia, que podem limitar importações em determinadas circunstâncias. Ainda assim, o desenho geral do acordo favorece a integração comercial e cria oportunidades concretas de crescimento.

No balanço final, o acordo Mercosul–União Europeia beneficia claramente o agronegócio, abre portas importantes para setores industriais competitivos e impõe desafios a segmentos menos preparados. O ganho real para o Brasil dependerá, a partir de agora, da capacidade de transformar essa abertura em investimento, produtividade e fortalecimento da economia nacional.

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