A política paraibana vive uma fase de reacomodação. Depois da saída de Cícero Lucena do Progressistas para o MDB — um movimento que alterou profundamente a base de sustentação do governo João Azevêdo —, o cenário ainda é de instabilidade. Há crises veladas, disputas por espaço e incertezas tanto entre governistas quanto entre oposicionistas.
Nos Republicanos, acendeu-se o sinal de alerta. Uma pequena crise foi detectada entre as famílias Santiago e Hugo Motta, que até pouco tempo atuavam em harmonia. O deputado Wilson Filho, hoje secretário de Educação, tentou acalmar os ânimos, mas sua declaração deixou entrever o incômodo:
“Política não se faz como trator, pisando e passando por cima dos sonhos dos outros, e sim se colocando no lugar dos outros para construir o consenso, para construir a unidade”, afirmou, sem citar nomes.
A fala veio poucos dias depois de seu pai, o deputado federal Wilson Santiago, também demonstrar insatisfação. Santiago cobrou “respeito” ao prefeito Cícero Lucena e disse que as opiniões dentro do Republicanos “também devem ser respeitadas”. O clima é de ruído e mostra que o partido, que deveria funcionar como um dos pilares do governo, ainda tenta se recompor.
Na oposição, o PSDB também enfrenta seus próprios impasses. O presidente estadual da legenda, deputado Fábio Ramalho, tem dito que “gostaria de votar em Pedro Cunha Lima”, mas ao mesmo tempo mantém pontes com Cícero Lucena, ambos pré-candidatos ao governo em 2026. A falta de consenso ameaça dividir o bloco oposicionista antes mesmo do início formal da corrida eleitoral.
Enquanto isso, em Brasília, o senador Veneziano Vital do Rêgo tenta atuar como bombeiro político. Ele deve pedir ao presidente Lula uma intervenção direta para facilitar a aliança entre o PT e o MDB na Paraíba, reforçando o projeto de Cícero Lucena, cuja filiação ao MDB está marcada para o dia 17 de novembro.
Dentro do PT, cresce a pressão para que o partido garanta espaço relevante na futura coligação — seja indicando o vice na chapa majoritária, seja apontando o nome para o Senado. Como a vaga de vice já estaria comprometida com Pedro Cunha Lima ou Romero Rodrigues, resta a corrida por uma cadeira no Senado. E é justamente aí que ressurge o nome do padre Luiz Couto, veterano petista que sonha em voltar a disputar o mandato de senador da República.
Entre recados públicos, alianças frágeis e negociações discretas, o fato é que o tabuleiro político da Paraíba segue em aberto. As peças estão em movimento, mas ainda longe de se encaixarem.