João Pessoa, domingo, 20 de setembro de 2026
Abin vê risco ‘crítico’ de interferência dos EUA nas eleições brasileiras
20/09/2026 05:35
Redação ON Reprodução

Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou para nível “crítico” o risco de influência e interferência externa dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro de 2026. O documento foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.

Segundo a avaliação da agência, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”, apesar da recente distensão nas relações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

A Abin relaciona esse movimento à estratégia do segundo governo Trump de reafirmar a influência dos Estados Unidos na América Latina e reduzir a presença de potências rivais, especialmente em áreas consideradas estratégicas.

O relatório cita como sinal dessa escalada as sanções aplicadas em julho contra brasileiros e empresas acusados pelos EUA de vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao PCC. Para a agência, medidas desse tipo podem atingir relações financeiras, acesso ao dólar, operações internacionais e a reputação de empresas brasileiras.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, recebe atenção especial no documento. A Abin avalia que sua atuação na América Latina possui um componente ideológico e busca estimular o alinhamento dos países da região aos Estados Unidos, inclusive com apoio à ascensão de governos conservadores.

A agência também menciona declarações de Rubio responsabilizando Lula pelas tarifas impostas a produtos brasileiros. Na avaliação da Abin, esse discurso pode repercutir diretamente no debate eleitoral brasileiro.

O relatório cita ainda a proposta apresentada pelo governo Trump ao Brasil, em outubro do ano passado, que condicionava um entendimento entre os dois países ao compromisso brasileiro de garantir eleições “livres e justas” e não limitar a participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral.

Na quinta-feira (17), Lula classificou essa proposta como um “arquivo morto” para o governo brasileiro e afirmou considerar inaceitável qualquer tentativa dos Estados Unidos de obter tratamento privilegiado sobre riquezas minerais do país.

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