Quando tudo parecia se alinhar para um retorno estratégico à política nacional, com a possibilidade concreta de garantir uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026, o ex-governador Ricardo Coutinho volta a ser abalado por um velho e incômodo fantasma: a Operação Calvário.
Nesta semana, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba decidiu enviar o processo contra o ex-governador ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), com base no novo entendimento do STF sobre o foro privilegiado. Na prática, isso não o inocenta nem o condena — mas reacende os holofotes sobre um caso que, há anos, compromete seu capital político.
Ricardo Coutinho foi, sem dúvida, um dos políticos mais influentes da Paraíba em sua geração. Da Câmara Municipal de João Pessoa ao Palácio da Redenção, construiu uma trajetória de êxitos eleitorais e projeção nacional. Mas, desde que deixou o governo em 2018, acumula derrotas: tentou ser prefeito da capital, tentou uma vaga no Senado — e falhou em ambas.
Agora, quando parecia pronto para reocupar espaço, surfando na aliança com o presidente Lula e ensaiando um novo projeto de poder, o avanço da Calvário o coloca novamente sob suspeita, ao lado de nomes como Cida Ramos, Estela Bezerra, Ney Suassuna, Márcia Lucena, Livânia Farias, entre outros.
A denúncia não é nova. O que muda é o fôlego do processo, agora sob os olhos atentos do STJ. E, num cenário em que a imagem pesa tanto quanto as propostas, Ricardo volta a enfrentar o maior desafio da sua carreira: resgatar a credibilidade diante da opinião pública.
A pergunta que se impõe é se ainda há tempo — e espaço — para um renascimento político. Ou se a Calvário, mais uma vez, lhe cortará as asas antes de um novo voo.
A trajetória do “Mago”
Ricardo Vieira Coutinho, 64 anos, foi vereador de João Pessoa (1993-1999), deputado estadual (1999-2004) e prefeito da capital paraibana por duas vezes, sendo eleito pela 1ª vez em 2004 e reeleito em 2008. Renunciou à prefeitura de João Pessoa em 31 de março de 2010, durante o período de seu segundo mandato, para disputar o governo do Estado da Paraíba, sendo eleito em segundo turno para o cargo de Governador com 1.079.164 votos (53,70% dos votos válidos). Em 2014, é reeleito Governador da Paraíba com a votação de 1.125.956 votos (52,61% dos votos válidos).