A política cai no forró — último ato do São João marca primeiros passos da chapa governista para 2026
24/06/2025 10:59
Redação ON Reprodução

O São João de Bananeiras, sempre um dos mais prestigiados do interior paraibano, ganhou este ano contornos bem mais políticos do que festivos para alguns convidados. No último fim de semana junino, o governador João Azevêdo aproveitou o clima de festa e reuniu parte expressiva de sua base aliada na residência do deputado estadual Eduardo Carneiro. Foi ali, em meio ao forró e aos bastidores animados, que João cunhou em tom simbólico o que chamou de “o primeiro passo” para as eleições de 2026.

“Toda caminhada por mais longa que seja tem que ter o primeiro passo, e ele foi dado aqui”, declarou o governador em suas redes sociais, ao lado de nomes como o deputado federal Hugo Motta, o prefeito de Patos Nabor Wanderley, o vice-governador Lucas Ribeiro, o prefeito de João Pessoa Cícero Lucena, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro e, claro, o anfitrião Eduardo Carneiro.

A declaração, embora solene, está longe de refletir o real estágio das negociações para a composição da chapa majoritária governista. O “primeiro passo” já vem sendo ensaiado nos bastidores há meses — entre idas e vindas, conversas reservadas e articulações públicas. O gesto de Bananeiras parece mais uma tentativa de selar um compromisso público entre os aliados do que propriamente iniciar um processo.

Contudo, o que não foi dito pesa tanto quanto o que foi. A ausência do presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, foi notória. Nenhuma justificativa foi apresentada, nem por ele, nem pelo governador. João Azevêdo sequer mencionou sua ausência, o que levanta dúvidas: estaria Galdino fora do eixo principal da articulação para 2026? Ou preferiu apenas não endossar um “primeiro passo” com o qual ainda não concorda?

A resposta talvez esteja com o prefeito Cícero Lucena, que mantém discrição pública, mas é tido como peça-chave nas articulações. Já os demais presentes parecem sinalizar que, para eles, o tempo de dar o segundo passo já chegou — e que o relógio da política não pode mais esperar por quem ainda hesita.

Enquanto isso, o São João segue sendo o palco preferido da classe política para alianças, poses em grupo e promessas para o futuro. No caso da base de João Azevêdo, o forró político começou quente em Bananeiras. Resta saber quem vai estar no arrasta-pé final, em 2026.

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