A polêmica aprovação do título de cidadã pessoense para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro
17/06/2025 21:24
Redação ON Reprodução

Esta terça-feira (17) foi marcada por embates ideológicos e trocas de farpas na Câmara Municipal de João Pessoa. Em uma votação tensa, os vereadores aprovaram a concessão do Título de Cidadã Pessoense à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em projeto de autoria da vereadora Eliza Virgínia (PP).

A homenagem, segundo a justificativa da autora, reconhece os “relevantes e inestimáveis serviços prestados à sociedade brasileira, especialmente nas áreas de bem-estar social e inclusão de pessoas com deficiência”. Para Eliza, Michelle “foi uma das mais amadas primeiras-damas do Brasil” e teria se destacado pelo trabalho em prol de pessoas com doenças raras e na promoção da linguagem de Libras em eventos oficiais.

Mas nem todos concordaram com a honraria. Os vereadores Marcos Henriques (PT) e Jailma Carvalho (PSB) votaram contra. Em seu discurso, Marcos Henriques criticou o que chamou de “fanatismo religioso utilizado como moeda política” pela família Bolsonaro e lembrou denúncias que envolvem Michelle, como o suposto favorecimento de aliados em operações da Caixa Econômica Federal.

“Essa família fez muito mal ao país, e qualquer título concedido a ela terá sempre a minha oposição”, declarou o vereador.

Após a aprovação, o clima esquentou. Em resposta às críticas, Eliza Virgínia voltou ao microfone para atacar a atual primeira-dama, Janja da Silva, a quem classificou como “desqualificada, baixa e deselegante”, acrescentando que sente saudades da atuação de Michelle no papel de primeira-dama.

O bate-boca entre parlamentares se intensificou, e o presidente da Casa precisou intervir, solicitando a retirada das ofensas contra as duas primeiras-damas das notas oficiais da sessão.

A aprovação ocorre num momento em que Michelle Bolsonaro se mantém ativa politicamente, participando de agendas do PL e sendo nome frequentemente cogitado para disputar cargos eletivos. Já em João Pessoa, o episódio escancarou mais uma vez a polarização que se mantém viva até nas votações simbólicas da Câmara.

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