A nova guerra política da Paraíba: cada um por si e todos contra todos
23/10/2025 05:42
Redação ON Reprodução

A disputa pelo Governo da Paraíba em 2026 ganhou contornos de um verdadeiro jogo de xadrez, onde cada movimento provoca reações em cadeia e muda o tabuleiro a cada semana. As últimas declarações dos principais atores políticos mostram um cenário confuso, de alianças improváveis, brigas abertas e otimismo exagerado.

O movimento mais surpreendente ainda é o do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena. Depois de provocar um verdadeiro tsunami político ao deixar a base do governador João Azevêdo para se filiar ao MDB, Cícero voltou a afirmar esta semana,

 que mantém apoio a João Azevêdo para o Senado — mesmo após o rompimento político entre os dois. A declaração já havia perplexidade até dentro do próprio MDB e foi duramente criticada por Veneziano Vital do Rêgo, principal nome do partido e pré-candidato à mesma vaga no Senado. Veneziano não escondeu o incômodo: “isso me prejudica”. Afinal, como apoiar o adversário direto do seu companheiro de chapa?

Enquanto isso, o clima também azedou entre os irmãos Efraim Filho e George Moraes, e o senador Veneziano. George partiu para o ataque depois que Veneziano retirou apoio a um aliado local, em Santa Luzia, e passou a apoiar outro candidato — movimento que atinge diretamente as bases eleitorais do deputado. Mas, por trás desse embate regional, há um cálculo mais amplo: os Moraes tentam evitar que se consolide na Paraíba um eixo de polarização entre Lucas Ribeiro, vice-governador e candidato da chapa governista, e Cícero Lucena, atual líder nas pesquisas. Se essa polarização se confirmar, a candidatura de Efraim Filho, que deve representar o campo bolsonarista, tende a ficar isolada, sem espaço para crescer.

No meio desse tabuleiro, aparece Aguinaldo Ribeiro, chefão do Progressistas e tio de Lucas Ribeiro. Ele tenta manter a serenidade e demonstrar confiança total na vitória do sobrinho. Para Aguinaldo, Lucas tem todas as condições de dar continuidade ao trabalho de João Azevêdo e será o próximo governador da Paraíba. “Não tenho dúvida nenhuma que Lucas será o governador da Paraíba em 2026”, cravou o deputado, numa demonstração de otimismo que soa, no mínimo, ousada diante de um cenário fragmentado e imprevisível.

Entre movimentos contraditórios, alianças abaladas e apostas arriscadas, a sucessão estadual se transforma num tabuleiro complexo. Cada peça avança calculando não apenas o adversário à frente, mas também o aliado ao lado. O que está claro é que, neste xadrez paraibano, ainda há muitas jogadas por vir — e ninguém pode dizer, com segurança, quem dará o xeque-mate em 2026.

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