terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
A foto da vez: MDB de Cicero volta a flertar com o PT e esquenta bastidores na Paraíba
10/02/2026 20:36
Redação ON Reprodução

Os movimentos de bastidores entre MDB e PT ganharam um novo capítulo na Paraíba, embalados pela articulação nacional do presidente Lula para atrair o MDB para a sua estratégia eleitoral de 2026. A direção nacional do partido vive um racha: levantamentos internos indicam que 16 estados resistem a uma aproximação formal com o lulismo, enquanto 10 se mostram simpáticos à ideia. A Paraíba está nesse segundo grupo, o que ajuda a explicar a coreografia política registrada hoje em Brasília.

Nesse ambiente de disputa por sinais e gestos, Cícero Lucena, Veneziano Vital e Mersinho Lucena trataram de produzir uma imagem política de impacto ao lado da ministra Gleisi Hoffmann.  A fotografia foi apresentada como sinal de diálogo avançado e possível convergência política. Pode ser leitura correta. Pode ser apenas encenação. Na política, imagem também é discurso.

Outra foto emblemática 

A Paraíba, aliás, já viveu um roteiro semelhante há poucos semanas. Na ocasião, uma foto de João Azevêdo, Lucas Ribeiro e Nabor Wanderley no gabinete do presidente Lula foi interpretada como um indicativo de apoio do Planalto ao grupo governista. O impacto político foi imediato, ainda que, na prática, nada tenha sido formalizado. Agora, o grupo adversário tenta devolver o gesto, sugerindo que a chave do PT também pode virar de lado. No meio disso tudo, Lula segue sendo disputado por todos — e deixando-se disputar.

No plano nacional, o PT opera com uma lógica clara: ampliar o arco de alianças para isolar o bolsonarismo e reduzir o espaço político de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Nesse desenho, o MDB virou alvo prioritário, inclusive pela possibilidade de indicar o vice na chapa de Lula. Nos bastidores de Brasília, cresce a avaliação de que o presidente quer repetir o “efeito Alckmin” de 2022, quando surpreendeu o país ao anunciar um nome de impacto para a vice. O próprio Alckmin, tudo indica, não deve ser mantido na função: Lula o quer novamente em São Paulo, enquanto o atual vice já sinalizou que preferiria continuar onde está.

Essa lógica de buscar um nome de peso abriu espaço para especulações que vão do improvável ao quase inverossímil. Circula em rodas políticas, por exemplo, a cogitação de Gilberto Kassab como um eventual nome capaz de atrair fatias do centrão para uma composição de centro-esquerda. É, por ora, apenas especulação. Mas a especulação, em política, costuma funcionar como balão de ensaio.

Até ex-bolsonarista…

Enquanto o desenho nacional segue em aberto, o PT demonstra, mais uma vez, disposição para dialogar com quase todos os campos possíveis. Nos últimos dias, outra foto chamou atenção em Brasília: Gleisi Hoffmann apareceu ao lado de Julian Lemos, ex-deputado que construiu sua trajetória como aliado de Jair Bolsonaro, rompeu de forma ruidosa com o clã presidencial e hoje se tornou um crítico feroz do bolsonarismo. Julian flerta com uma filiação ao PT, apesar de não ter histórico, perfil ou identidade com o partido. Ainda assim, o PT se deixa querer — até por quem, ontem, era bolsonarista juramentado.

No fim das contas, o que está em jogo, tanto em Brasília quanto na Paraíba, é menos a convicção ideológica e mais a disputa de narrativas e imagens. Fotografias não fecham alianças, mas ajudam a produzir fatos políticos. E, neste momento, todos querem aparecer bem na foto ao lado de Lula.

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