Durante anos, Antônio Ais e Fabrícia Ais circularam com desenvoltura por João Pessoa e Campina Grande. Eram presença frequente em rodas de empresários, eventos sociais e encontros informais com gente influente. Venderam a imagem de sucesso fácil, domínio do mercado de criptomoedas e a promessa de ganhos rápidos com investimentos em Bitcoin. Convenceram amigos, conhecidos e até pessoas experientes no mundo dos negócios a colocar milhões no que hoje se revela um castelo de cartas.
O resultado é um rastro de prejuízo que atravessa milhares de famílias paraibanas. Quase ninguém gosta de falar sobre o assunto. Muitos dos que foram enganados preferem o silêncio, não apenas pela dor financeira, mas pela vergonha de admitir que acreditaram em promessas irreais. Para muita gente, assumir publicamente a perda virou sinônimo de exposição, de fragilidade, de ter sido passado para trás.
Com a decretação da falência da Braiscompany e de outras empresas do grupo pela Justiça da Paraíba, o caso entra oficialmente na fase da liquidação judicial. A decisão reconhece o que já era visível: empresas fechadas, nenhuma atividade real em funcionamento, milhares de ações judiciais e os controladores condenados por crimes contra o sistema financeiro.
No papel, o processo de falência organiza o que sobrou, centraliza as cobranças e tenta preservar algum patrimônio para pagar credores. Na prática, para a maioria dos que foram ludibriados, a sensação é de justiça incompleta. O dinheiro sumiu, projetos de vida foram interrompidos, histórias pessoais e familiares foram atravessadas por perdas que dificilmente serão reparadas.
A falência é o fim jurídico de uma estrutura empresarial que já tinha ruído há muito tempo. Mas, diante do estrago social causado em João Pessoa, Campina Grande e em tantas outras cidades, ela parece pouco diante do tamanho do dano. Para quem perdeu tudo, não há sentença que devolva o tempo, o dinheiro e a confiança que ficaram pelo caminho.