João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
A capa da The Economist e o retrato da “liberdade de expressão” nos EUA
25/09/2025 11:39
Redação ON Reprodução

A edição da revista britânica The Economist desta semana traz uma capa provocativa: quatro versões de Donald Trump, cada uma exercendo um papel da mídia — câmera, microfone, fone de ouvido e entrevistado. O título em letras garrafais, “Free Speech in America” (“Liberdade de expressão na América”), sugere uma leitura crítica da forma como o presidente republicano domina o debate público e consegue transformar a comunicação em um espetáculo fechado em si mesmo.

De forma direta, a imagem mostra que Trump não precisa da imprensa tradicional: ele é, ao mesmo tempo, fonte, repórter e editor. Na metáfora visual, não há espaço para vozes externas. A “liberdade de expressão” passa a ser entendida como a liberdade de Trump falar, gravar, editar e retransmitir sua própria narrativa, sem mediação.

A crítica implícita

O recado da The Economist é que o conceito de livre expressão nos Estados Unidos, historicamente associado ao pluralismo e à diversidade de opiniões, está sendo distorcido pela capacidade de líderes populistas monopolizarem os meios de comunicação e criarem ecossistemas informativos paralelos. Trump, nesse sentido, representa uma máquina de autopropaganda: ele entrevista a si mesmo, filma a si mesmo, se escuta e se amplifica.

O momento não é aleatório. Trump está novamente no centro da disputa política americana e sua relação com a mídia nunca deixou de ser conflituosa. Ele acusa jornalistas de “fake news”, enquanto mantém uma base que se informa quase exclusivamente por canais alinhados a ele. A capa sugere que a liberdade de expressão, ao invés de proteger a pluralidade, está sendo instrumentalizada por uma figura que não admite contestação.

Do ponto de vista opinativo, a capa pode ser lida como um alerta: se a liberdade de expressão se torna apenas um megafone para os poderosos, ela deixa de cumprir seu papel democrático. Em vez de garantir espaço para múltiplas vozes, acaba reforçando o monopólio de um só discurso. É a crítica não apenas a Trump, mas ao ambiente político que permite que um líder transforme a imprensa em extensão de sua própria persona.

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