Faltando exatos 100 dias para o primeiro turno das eleições de 2026, a comparação com o mesmo período de 2022 ajuda a medir o que mudou, o que permaneceu e onde estão os maiores riscos para cada grupo político.
Na disputa presidencial, Lula continua liderando, como já acontecia há quatro anos. A diferença é de posição: em 2022, ele aparecia à frente como candidato de oposição; agora, lidera como presidente da República e candidato à reeleição. Na pesquisa Genial/Quaest mais recente, Lula tem 39% das intenções de voto, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Em junho de 2022, a Quaest mostrava Lula com 46%, Jair Bolsonaro com 30% e Ciro Gomes com 7%. Ou seja: a liderança petista permanece, mas em um ambiente político diferente, agora com o governo tendo que defender sua própria gestão.
Na Paraíba, o contraste é ainda mais evidente. Em 2022, a pesquisa Ipec mostrava João Azevêdo liderando com 32%, enquanto a oposição se dividia entre Pedro Cunha Lima, com 16%, Nilvan Ferreira, com 15%, e Veneziano Vital do Rêgo, com 14%. O governador tinha a máquina, a dianteira e adversários fragmentados.
Agora, o quadro é outro. Segundo o Real Time Big Data, Lucas Ribeiro aparece com 30%, tecnicamente empatado com Cícero Lucena, que tem 28%. Efraim Filho vem em seguida, com 19%. A diferença fundamental é que a fragmentação deixou de estar apenas na oposição e passou a atingir também o campo que venceu a eleição passada. Lucas e Cícero, antigos aliados, hoje disputam espaços parecidos no eleitorado.
O Senado
A corrida pelo Senado também mudou de desenho. Em 2022, havia apenas uma vaga em disputa. Naquele momento, o Ipec apontava Ricardo Coutinho na frente, com 30%, seguido por Efraim Filho, com 20%. A eleição terminou com virada de Efraim, mostrando como a reta final pode alterar completamente uma disputa majoritária.
Em 2026, serão duas vagas. O Real Time Big Data mostra João Azevêdo liderando com 32%, seguido por Veneziano Vital do Rêgo, com 25%. Marcelo Queiroga aparece com 13%. A presença de dois nomes já consolidados na dianteira torna a disputa mais difícil para quem tenta crescer por fora, mas também aumenta a importância das chapas casadas, dos apoios municipais e da transferência de votos entre governador e senadores.
O espelho de 2022 mostra que liderança em pesquisa é vantagem, mas não é sentença. Na disputa nacional, Lula segue na frente, mas agora carrega o peso do governo. Na Paraíba, o cenário é mais embolado do que há quatro anos, especialmente porque a base que antes marchava unida agora se divide. A 100 dias das urnas, os números indicam uma eleição aberta, com muito peso para os indecisos, para as alianças e para os erros cometidos na reta final.