- Por Miguezim de Princesa
I
Vendo essa dinheirama
De bilhões e de trilhões,
O povo com seus tostões
Sente-se comedor de grama;
O ricaço se esparrama,
Exibindo seu carrão,
A lancha e o avião,
Inda zomba do caipira
Com dinheiro de mentira,
Iludindo a multidão.
II
Nos regabofes da elite
Do mercado financeiro,
Vem quenga do estrangeiro
Mostrar o seu pissuíte,
O ministro na suíte
Só fazendo vuco-vuco,
Dizendo: “Eu fico maluco,
Data vênia, mon cherri,
Nunca me embargue, merci,
Que logo eu bato no truco”.
III
O homem da capa preta
Quando olhou para a francesa
Ficou com a venta acesa
Com o cheiro da roseta:
– Oh, madame Marieta,
Não basta entender de lei,
Me ensine o que eu não sei,
Pegue minha jurisprudência
E bote na sua ciência
Que é terra que eu nunca andei.
